Ponto de Atendimento Veterinário da Unifeob é instalado na Serra da Paulista

Para ajudar animais feridos pelo incêndio, buscas ativas por voluntários liderados pelo professor Plínio são feitas diariamente

 

Desde o final de semana, vários focos de incêndio destroem matas e plantações, além de desabrigar, ferir e matar animais da região da Serra da Paulista e do município de Águas da Prata. Bombeiros, colaboradores das prefeituras, Defesa Civil e voluntários contam com a ajuda de aeronaves do Governo do Estado de São Paulo e contratadas pela iniciativa privada e sociedade civil para combater as chamas nos últimos dias.

 

Para ajudar nessa situação crítica, a Unifeob montou um Ponto de Atendimento Veterinário no KM 7,5 da Estrada da Serra da Paulista, no Sítio Ipê Amarelo. Ele está em funcionamento desde quarta-feira (9) e conta com três médicos veterinários da instituição para prestar primeiros-socorros a animais machucados e desabrigados. Até cinco pacientes podem ser recebidos por vez nos períodos da manhã e da tarde.

 

Até o momento, já foram atendidos um bezerro e dois filhotes de tatu-bola, todos órfãos. “É uma iniciativa muito nobre da Unifeob porque esse animais infelizmente não têm o suporte necessário”, relata a médica veterinária Juliana Bonfante, responsável pelo Ponto de Atendimento. “Quem encontrar algum animal com queimaduras ou ferido de qualquer maneira na região da Serra da Paulista, pode trazer aqui primeiro”.

 

Se necessário, após os primeiros cuidados, os animais são enviados para o Hospital Veterinário no Campus Mantiqueira da Unifeob, que funciona normalmente, onde é realizado o tratamento completo. No momento, não são necessárias doações de qualquer tipo; elas devem ser encaminhadas para os voluntários no ponto de arrecadação na Estação das Artes de São João da Boa Vista (Largo da Estação, 41 – Praça Rui Barbosa).

 

O espaço aconchegante para salvar os animais foi cedido pela proprietária do Sítio Ipê Amarelo, Maria Smith. “É nossa obrigação tentar fazer o melhor possível para ajudar em uma hora tão difícil como essa”, afirma. Ela elogia o trabalho da equipe da Unifeob. “Eu acho maravilhoso eles disporem do tempo deles para fazer o bem para a natureza e cuidar dos bichinhos”.

 

Equipes de busca

Lideradas pelo médico veterinário Plínio Aiub, docente da Unifeob, equipes de busca formadas por voluntários procuram animais feridos que tenham se escondido das chamas para sobreviver. Os integrantes são profissionais ou estudantes das áreas de biologia e medicina veterinária e recebem todo o equipamento de segurança e aparatos ideais para a tarefa.

“Nós temos um forte cunho ambiental na universidade, principalmente nas partes de biologia e veterinária, e vem crescendo cada vez mais o engajamento dessas pessoas, principalmente por parte dos alunos, na questão ambiental”, conta o professor Plínio. “Eu vejo com muito bons olhos o Ponto de Atendimento. Está à disposição da população, a Unifeob rapidamente se incorpora na causa porque é a que mais tem capacidade para ajudar”.

 

Estudante de Medicina Veterinária da Unifeob, Noemi Moraes se voluntariou para ajudar por sempre ter se considerado uma defensora da natureza. Ela lamenta a perda de biodiversidade por conta do incêndio. “A gente faz reabilitação de animais e solta aqui na Serra. Agora ficamos pensando ‘Será que ainda estão vivos?’ É bem triste”.

 

O biólogo João Sguassabia de Souza encontrou o corpo carbonizado de uma víbora. É apenas mais um dos tristes reflexos do incêndio. “A gente torce pelo melhor, mas também temos que nos preparar para o pior. Infelizmente, nesse caso, o que encontramos foi uma vida perdida”.

 

Incêndio

Segundo o Coronel Briciug Martinzes, do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar/SP, ainda é impossível definir a extensão do estrago. Toda as decisões são centralizadas para evitar acidentes e atitudes que possam prejudicar o trabalho. “Não adianta tentar fazer qualquer atividade de forma isolada, é importante que tudo seja feito de forma coordenada”. Ele destaca a importância das equipes de busca da Unifeob. “Nós temos pessoas disponíveis para fazer a coleta de animais, um trabalho veterinário muito meritório”.

 

Sitiantes da região perderam plantações e animais para o fogo. Segundo Nicolau Tabansky, dono de uma propriedade na região, não havia o que fazer. “Eu tenho guanandi, café e eucalipto. Com vai recuperar? Aí eu não sei”, lamenta. “Aqui tinha lobo-guará com filhotes, onça parda. Espero que eles tenham conseguido escapar”.

  

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