Programa Vizinhança Solidária no Comércio apresenta os resultados de dois meses de trabalho

Matéria: Paula Partyka

O Programa Vizinhança Solidária no Comércio propõe uma maior aproximação entre a comunidade e a Polícia Militar para troca de informações e desta forma evitar uma série de roubos e assaltos

A segurança para trabalhar tranquilamente em Jaguariúna tem melhorado consideravelmente com a implementação do Programa Vizinhança Solidária no Comércio. Essa é uma iniciativa da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo, que se expandiu para diversas áreas da capital que chegou há pouco mais de dois meses no município e os resultados são satisfatórios.

O Vizinhança Solidária consiste na criação de grupos em aplicativos de celular para que policiais possam ser informados sobre suspeitos ou crimes em andamento, mas não é só isso. “O artigo nº140 da Constituição Federal diz que a Segurança Pública é dever do Estado e direito e responsabilidade todos. Baseado nisso, a PM criou o Projeto que não é só um grupo de WhatsApp. A filosofia é quebrar o gelo entre as pessoas e gerar o contato entre os vizinhos. Por exemplo, vou viajar e falo com a vizinha da frente: não autorizei ninguém vir na minha casa, se ver alguém tentando entrar, liga para a PM. Isso é vizinhança solidária”, explica o Sub-Tenente PM Norder (Wendel Norder Rocha).

Antes de o Programa estar efetivamente funcionando em Jaguariúna, estavam sendo registradas repetidamente ocorrências de um indivíduo que invadia os comércios com martelos e pedras para furtar o dinheiro do caixa, depois, fugia de bicicleta. De acordo com o PM Norder, esse caso foi solucionado com a contribuição do grupo de comerciantes solidários.

Referente à prisão do indivíduo, ele explica que o Código de Processo Penal diz que a pessoa só fica presa em flagrante delito, independente do tipo de crime. Entretanto, alguns crimes são cabíveis de fiança, que é um modo de comprometimento de posteriormente comparecer em juízo a tratar do assunto.

Nesse caso, o indivíduo não foi preso em flagrante, por isso foi solto. “Agora, roubo, furto e crimes de forma geral contra a vida e patrimônio, o camarada permanece preso em flagrante delito. No outro dia, tem a audiência de custódia”, explica o PM Norder.

Desse modo, o presidente da ACI Jaguariúna, João Rodrigues dos Santos, considera que essa união entre a iniciativa privada, poder público e as polícias do município quebra alguns paradigmas. “Com a criação do Vizinhança Solidária no Comércio cada dia que passa a Polícia é melhor vista. A Polícia virou amiga que todo mundo quer conversar e tirar uma foto. É o que eu sinto”. O PM Norder afirma que é isso mesmo.

O Vizinhança Solidária tem a missão de aproximar os vizinhos/comerciantes e dar a noção das maneiras de prevenção primária de segurança que geram mudanças de comportamento. Desde a segunda semana o grupo do Programa tem gerado bons resultados em relação a esses fatores.

Norder tem percebido que confiabilidade e proximidade dos comerciantes em relação a PM tem crescido. “E o que é fantástico é que pessoal demonstra orgulho ao postar fotos com a placa do Programa em seu comércio. E uma coisa que eu aprendi com o Vizinhança Solidária é que muitas pessoas, às vezes, queriam ligar para a PM e ficavam constrangidas imaginando que a viatura ia abordar a pessoa e seria alguém de bem. Eles estão entendendo, agora, que não tem problema. Todos estão sujeitos a ser abordado”, disse.

Em uma semana a PM realizou oito abordados em decorrência do grupo. Os oito eram usuários de droga e egressos do sistema prisional. Sete deles eram de fora de Jaguariúna. “E um desses que eu abordei, eu mostrei o grupo para ele e disse para ele ver quantos participantes tem e que ele não tem espaço aqui. No outro dia ele foi preso em Pedreira”, conta Norder.

São 155 comércios participantes do Programa que estão em contato com a Polícia por meio do grupo. Essa ferramenta não privilegia ninguém, apenas facilita a prevenir delitos. “Nós orientamos sempre que a pessoa ligue 190, porque quando você liga 190 você está registrando a queixa, tem amparo jurídico. Ou, ligar 153, que é a Polícia Municipal”, explica o PM Norder.

O 153 não tem registro e atende apenas Jaguariúna. O 190 cai na rede rádio da PM que compreende oito cidades. Dependendo do grau de periculosidade da ocorrência ela é repassada para 38 cidades do CPI2.

O Programa não tem custo algum para o proprietário, que arca com eventuais investimentos para melhorar a vulnerabilidade do próprio imóvel. Para receber os benefícios do Vizinhança Segura, o comerciante deve procurar a Polícia Militar ou a ACI Jaguariúna.

Inclusive, o PM Norder e o presidente da ACI, João, convidam todos que fazem parte do Programa e todos que não fazem, para a próxima reunião a ser realizada na terça-feira, 30, às 19h, na ACI. “A força contra o crime está na união coordenada entre povo e polícia”.

  

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