“Renascer das Cinzas”

Comércio e atividades consideradas não essenciais fecham as portas durante lockdown no Distrito Federal. (https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-03/governo-de-pernambuco-decreta-quarentena-para-conter-pandemia)

Num desses “Lockdown”, confinamento obrigatório, tendo em vista a luta de todos nós contra a pandemia, aproveitei para assistir de novo o filme Batman Begins (2005).

Uma cena ou um diálogo me chamou bastante atenção:

Com a sua mansão destruída, ato de vingança do quase imortal homem das sombras Ducard (Liam Neeson), Bruce Wayne (Christian Bale) ferido ouve do mordomo Alfred (Michael Caine) a seguinte pergunta: _Por quer caímos, Bruce? Caímos para aprender a ficar de pé!

Esta pergunta de retórica de Alfred traz ânimo a Bruce Wayne, que se levanta literalmente das cinzas para continuar sua luta em prol da cidade de Gotham.

Outro exemplo, este de fato, deu-se por ocasião do incêndio de grandes proporções, ocorrido no ano de 1871 da cidade Chicago, nos Estados Unidos. Onde morreram 300 pessoas, milhares de desabrigados, além do prejuízo de milhões de dólares.

Conta-se que, em meio ao grande desespero, um homem olhava impassível para a destruição de sua única propriedade. Perguntado por que se mantinha indiferente à dor da sua própria desgraça, ele respondeu: _Estou esperando este fogo acabar para levantar das cinzas um prédio três vezes maior do que este que, agora, o fogo destrói.

Essas duas ilustrações, uma ficcionista e outra de fato, dentre tantas, traz força, pelo menos no meu entendimento, para mulheres e homens que “escaparam”, desse vírus maldito, firmarem os seus pés e continuar a lida nossa de cada dia.

Sei que, no Brasil, não está sendo fácil para milhões de pessoas, notadamente no campo da economia, em que mais de 670 mil pequenas e médias empresas que faliram e não vêem perspectiva alguma de retomar suas atividades de sobrevivência.

A brava gente brasileira, nesse contexto de incertezas,  terá que ter muita calma. Calma  e resignação, vocábulos sinônimos de paciência, relacionam-se com o tempo, implicam em esperar. Todavia, esperar é uma tarefa difícil e, também, uma virtude esquecida pela geração dos fenômenos instantâneos.  Num  mundo assim,  em que a ansiedade é o grande algoz do homem, o ansiar por melhores dias, ou inquietar-se por eles, não assegura aos nossos corações que dias melhores irão surgir antes do tempo próprio..

No entanto, que possamos vislumbrar dias melhores e, mesmo tendo contra nós fortes evidências de coisas ruins, tomar como exemplos a atitude de homens e mulheres que se tornaram protagonistas de “renascer das cinzas”.

É, sobremodo, animador para espíritos caídos, o exemplo do astrofísico Stephen Hawking (1942-2018). Veja o que ele disse antes de morrer:  _Não posso dizer que a doença foi uma sorte, mas hoje sou mais feliz do que era antes do diagnóstico. _Não importa quanto à vida possa ser ruim, sempre existe algo que você pode fazer, e triunfar.

* Francisco Assis dos Santos é teólogo e humanista.

  

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