fbpx

Rugby em cadeira de rodas: Ação, reação e rebilitação

O Rugby em cadeira de rodas, ou QuadRugby, é um desporto em cadeira de rodas feito para jogadores tetraplégicos. Se assemelha bastante ao futebol americano, por ter quase os mesmos objetivos e ser um jogo que envolve forte contato físico. As equipes são formadas por quatro jogadores, onde homens e mulheres tetraplégicos atuam juntos. Há oito reservas à disposição do técnico: esta grande quantidade de suplentes é explicada pela intensidade das colisões entre competidores e cadeiras. É necessário ter agilidade para manusear a bola, acelerar, frear e direcionar a cadeira.

Todos nós sabemos dos benefícios da prática de atividades físicas para pessoas com deficiência, mas praticar um esporte violento como o rugby, quem teria coragem?

Bruno Souza, um possense de 27 anos que ficou tetraplégico por conta de um acidente, tem essa coragem: “Eu conheci o rugby em cadeira de rodas há alguns atrás quando eu estava sendo atendido no SARAH, em Belo Horizonte/MG e me apaixonei pelo esporte, mas nunca sonhei em ter a oportunidade de praticá-lo”, conta.

E a oportunidade surgiu em setembro do ano passado, quando foi convidado pelos atletas cadeirantes Pedro Nogueira Filho e Maicon Martins a participar na equipe de handebol da ADEACAMP – Associação de Esportes Adaptados da UNICAMP/Campinas. “Pelo meu tipo de lesão eu não tenho condições de jogar handebol, então, fiz uma avalição e pude começar a treinar com a equipe do esporte que eu me apaixonei”, explica Bruno.

E Bruno começou a treinar três vezes por semana em Campinas, depois de convencer a mãe, Deise. “É um esporte que parece violento, as cadeiras se batendo, tombos, eu nem tenho coragem de ir assistir aos treinos!”, conta Deise.

Mas é um esporte com um processo de reabilitação muito grande, o atleta tem que desenvolver o domínio sobre a cadeira de rodas – que é desenvolvida especificamente para o esporte, desenvolver a musculatura e agilidade de raciocínio. A equipe da ADEACAMP é treinada e acompanhada por profissionais altamente especializados na área – o técnico é um doutorado, com médicos, nutricionista, enfermeiros e mecânicos.

Além da possibilidade de socialização que proporciona. “Depois que eu comecei a treinar, melhorou muito minha auto estima, minha condição física também, tenho melhor disposição, durmo melhor, e estou me tornando mais independente”, conta Bruno, que hoje já consegue se transferir sozinho da cadeira de rodas para o banco do carro. Ele e o colega atleta cadeirante Pedro vão sozinhos para Campinas, para horror da dona Deise. “Ele está a cada dia mais independente, só me restou ficar rezando para que nada aconteça”, brinca Deise.

Apesar de ser um esporte caro, são diversos equipamentos e uma cadeira de rodas especialmente desenvolvida para esporte – o atleta utiliza a cadeira emprestada pela ADEACAMP, Bruno tem esperança de encontrar patrocinadores e continuar o seu sonho: “Tenho muito caminho ainda pela frente, muita musculação pra fazer, mas tenho disposição e determinação para estar um dia jogando efetivamente na equipe e, quem sabe, chegar nas Paralimpíadas!”, finaliza Bruno.

  

Comentários