Transformações no campo: o papel da formação técnica na produção agrícola
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A formação técnica tem impulsionado a profissionalização no campo, consolidando um perfil de trabalhador rural mais autônomo, tecnicamente qualificado e apto a enfrentar os desafios da produção contemporânea
A agricultura, depois da coleta e da caça, é o processo produtivo mais antigo em termos de desenvolvimento histórico, desempenhando papel fundamental na evolução da espécie humana. Muitos historiadores, antropólogos, cientistas sociais e geógrafos compreendem que, sem esta atividade, possivelmente, as relações sociais seriam diferentes daquilo que conhecemos. Daí a importância do agro na atualidade.
Nas últimas décadas, no Brasil, a agricultura, de modo geral, com os agricultores familiares que produzem em pequena ou larga escala, passou por um processo consistente de transformação, impulsionado especialmente pelo crescimento da educação no campo e pela ampliação do acesso ao pacote tecnológico voltado a este setor da economia. Como pacote tecnológico, entende-se tanto as ferramentas quanto o conhecimento para utilizá-las.
Com o avanço da tecnologia, a produção agrícola ficou mais intensiva em termos de volume, de modo que as práticas tradicionais de manejo passaram a ser substituídas pelas técnicas contemporâneas em produção de grandes escalas. Afinal, a profissionalização das atividades no campo tornou-se uma necessidade no que diz respeito a garantia da produtividade, sustentabilidade e permanência das famílias nas zonas rurais.
As populações do campo no Brasil, no processo histórico, enfrentaram alguns obstáculos estruturais no que diz respeito ao acesso à educação. Porém, do final do século passado aos dias atuais, a lógica mudou significativamente, sobretudo a partir da democratização do acesso às tecnologias agrícolas e ao conhecimento atrelado a elas.
A ampliação do acesso à educação técnica e tecnológica no meio rural decorre de uma série de fatores estruturais. Entre eles, destacam-se as políticas de interiorização de instituições de ensino, a oferta de cursos profissionalizantes com enfoque agropecuário e a valorização de currículos voltados à realidade produtiva das regiões.
É preciso compreender, também, que o processo de profissionalização não limita-se somente à qualificação individual dos sujeitos. Na realidade, reorganiza todo o modo de produção, interferindo diretamente nas estratégias de uso da terra, no planejamento da produção e na adoção de tecnologias que podem impulsionar a produção das safras.
Isso ocorre porque, a partir da formação técnica, torna-se mais simples a tomada de decisão embasada em dados, métodos e diagnósticos da realidade. O resultado expressa-se no alto índice de eficiência em aplicação de insumos e redução de perdas e nos ganhos significativos de produtividade, além de elevados índices de exportação, especialmente em cenários de instabilidade climática.
Outro ponto importante é que a democratização do acesso ao conhecimento técnico também se ampliou com o avanço da tecnologia e da educação a distância. Com acesso à agronomia EAD, por exemplo, muitos produtores têm buscado capacitação para aplicar práticas mais sustentáveis, com a finalidade de melhorar o processo produtivo em sua totalidade.
O estudo EAD, sobretudo, permite que o agricultor concilie a rotina exigente da produção rural com os estudos, respeitando seu tempo e os ritmos da natureza. No fim, a profissionalização do campo tornou-se uma estratégia estrutural de transformação do espaço rural no Brasil.
Na medida em que o conhecimento técnico passa a ser democratizado e acessado por mais pessoas, o modelo de agricultura brasileiro torna-se melhor e mais eficiente. Deve ser por este motivo que o agro é o carro-chefe da economia nacional.