Moda e nostalgia: como o passado influencia o que vestimos hoje
Tendências dos anos 90 e 2000 têm dominado o guarda-roupa das novas gerações; entenda a onda nostálgica
As redes sociais estão inundadas de conteúdos nostálgicos. Basta abrir o TikTok ou o Instagram para se deparar com maquiagens virais da década de 1990, tendências fashion que parecem sair diretamente de uma revista dos anos 2000 ou até mesmo montagens de fotos que parecem ter sido feitas 20 anos atrás.
Nos últimos anos, a nostalgia virou tendência de consumo, principalmente no mundo da moda. Estilos, tecidos e peças clássicas de outras décadas têm sido incorporadas pelas novas gerações como elementos centrais na construção de seus visuais e também como formas de autoexpressão.
O fenômeno da nostalgia no mundo fashion
O retorno do passado na mídia já é uma realidade – e parece ter vindo para ficar. Em um mundo cada vez mais conectado, é fácil acessar informações sobre outras épocas, como filmes, séries e peças de roupas antigas. Além disso, em uma era em que os reboots e as continuações dominam as telonas, é possível afirmar que a nostalgia está nos centro das atenções.
No mundo fashion, esse anseio pelo passado se consolidou durante a pandemia de Covid-19, em que o retorno à estética e a produções de décadas passadas trazia um senso de segurança e conforto, diante da instabilidade do contexto social.
Criadores de conteúdo digital em redes sociais como o Tik Tok e o Pinterest passaram a resgatar estilos e tendências de décadas passadas na criação de looks, em especial com roupas inspiradas em sucessos dos anos 1990 e 2000.
Os brechós também ganharam força nesse cenário, atraindo um público cada vez mais jovem, que busca por peças clássicas e adereços que remetem a tendências do passado.
Assim, consolidou-se um desejo coletivo de reviver experiências – em alguns casos, nunca vividas –, por meio de peças vintage e trajes retrô que marcaram época.
Moda, memória e tendências
Na moda, a nostalgia tem sido um fator determinante no surgimento de tendências que resgatam elementos-chave da estética e estilos de décadas passadas. Em específico, os revivals estéticos dos anos 1990 e 2000 têm impulsionado a indústria da moda a resgatar tecidos, estampas e peças características dos períodos.
Com o “aesthetic” dos anos 90 de volta, itens como calças baggy de cintura-alta, saltos plataforma, slip dresses e conjuntos de tricô e alfaiataria têm dominado e repaginado os guarda-roupas da geração Z, que utiliza as peças vintage não apenas para se encaixar em tendências, mas para experimentar e explorar novos estilos.
O tecido xadrez é um dos símbolos dessa retomada. Camisas de flanela xadrez, vestidos e saias quadriculadas são alguns dos itens que retornaram ao centro da moda, com uma proposta que incorpora a estética dos anos 90 e a adapta às demandas contemporâneas.
A estética Y2K, como é conhecida a retomada dos estilos dos anos 2000, também é uma das grandes expressões do atual processo nostálgico no universo fashion. A década ficou marcada por looks ousados e bastante expressivos, com o uso de sobreposições, cores vibrantes e acessórios maximalistas.
Lenços, bandanas, calças de cintura-baixa, minissaias, baby teas e bolsas baguete são algumas das peças principais que têm ganhado força tanto nas passarelas quanto na moda urbana, sendo um dos grandes marcos da popularização do Y2K.
Com itens diversos e repaginados, a hipervalorização de estéticas do passado faz parte de mais uma tendência do universo da moda. Ao recuperar estilos e visuais antigos, o universo fashion permite o resgate da memória da moda, introduzindo-a às novas gerações, que, por sua vez, apropriam-se e constroem uma estética simultaneamente nostálgica e contemporânea.