ARQUITETURA E ARTE – PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE 1929

Os imigrantes sírios libaneses iniciam chegada para também edificar alicerces do Distrito de Paz de Jaguary em 1902. Registraram a nossa história de luta nas três construções principais que ergueram. Preservadas, elas testemunham seu laborioso início de vida. É imprescindível manter e resgatar a memória arquitetônica dos prédios do Centro Histórico, a fim de que não sejam varridos desse precioso berço. Os três referidos são a Casa Syria de 1913 de Gabriel Sayad, o casarão e comércio de Pedro Salomão Hossri de 1919 e o casarão e comércio de Felipe Hossri de 1929. Havia outros já apagados, porém sem destaque arquitetônico. Consideremos neste artigo um casarão e comércio diante da Praça do Umbelina Bueno, defronte ao jardim do Coreto.

Este imóvel é uma construção, símbolo da arquitetura do Velho Jaguary construída em 1929, na Rua Cândido Bueno, erguida por Felipe Salomão Hossri. Exemplo de rica arquitetura, permanência de traços do neoclássico a que se juntam linhas, influência dos construtores de imigração italiana, pedreiros frentistas, que trabalhavam riquíssimas e artísticas molduras. Retrato autêntico das primeiras décadas da história de Jaguariúna. Cumpre preservar para a posteridade este patrimônio cultural material. Ali o libanês Felipe Hossri construiu e instalou sua residência e loja, manteve próspero comércio ao lado da esposa Luísa. Neste local também nasceram seus filhos. Mais tarde, vendeu o imóvel para seu irmão Miled Salomão Hossri. O suntuoso prédio comercial e residencial assim permaneceu até o final do século XX.

Abria suas cinco grandes portas de aço de correr para a praça do povo e para a sua história. Foi alugado como Armazém de Secos e Molhados de Luiz (Gim Ferrari). Este comércio permaneceu ali até o fim dos anos 1960. O imóvel tornou-se Casa de Material de Construção de A. M. Hossri e Jayr Piva. Aos 102 anos de idade, o saudoso Seu “Milete” deixou o imóvel para seu filho, Prof. Antônio Maurício Hossri, diretor de escola, vereador, Presidente de Câmara e Prefeito Municipal (1997-2000), hoje com 93 anos para alegria da família e do povo desta cidade. A construção necessitou de reforma urgente e a defesa civil orientou a não manutenção da parede frontal devido a uma grande infiltração ocasionada pela canalização da água.

A família lamentou a não manutenção das históricas e ricas molduras, porém a parede original apresentaria dificuldade de sustentação das mesmas. Mandou que fossem retiradas tais molduras, com muito cuidado, seu filho o contador Paulinho Cordeiro Hossri guardou-as, pois conhecia a sua história. Os novos inquilinos exigiam pressa para instalarem ali uma Agência Bancária. A pressa sempre foi inimiga da perfeição. Hoje novamente reformado abriga o SANTANDER . Até o momento não foi possível a recolocação da fachada do prédio, restaurando em tal PATRIMÔNIO HISTÓRICO. O Conselho de Defesa do Patrimônio reivindicou intensamente junto ao proprietário a recolocação das molduras em 2012, haja vista que o referido prédio está incluso no Cadastro do Patrimônio Histórico da cidade.

Esta Instituição Bancária não atendeu até o momento (2024) a reivindicação das Instituições Jaguariunenses. Lamentavelmente, não soube valorizar e reconhecer o patrimônio histórico da cidade. Insistiu e reformou a agência bancária segundo seus modelos. Não houve qualquer forma de estudar uma adequação da Arquitetura Histórica, como o fez com o sobrado da Agência anterior (hoje, PoupaTempo). O Conselho do Patrimônio Histórico oficiou à torre do Santander de São Paulo, reivindicando o zelo pela História local, a fim de que se repusessem as molduras originais. O, então Presidente, José Adílson Abrucês oficiou, em nome da Câmara Municipal de Jaguariúna que consagrou o interesse coletivo do povo em seu ofício, reivindicando tal objetivo do CONPHAAJ e do Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria de turismo e Cultura.

Até hoje a municipalidade aguarda as providências do Banco Santander a fim de proceder à restauração, exclusivamente de sua parede frontal externa, repondo as citadas molduras guardadas, apenas no alto do mesmo, reconstituindo uma releitura da sua fachada original, naquilo que não altere seus padrões de próspera agência bancária. Desta forma, esta nobre Instituição possa ouvir os reclamos das instituições, de seus clientes, que lutam por preservar a suas memórias, histórias e identidade. Os órgãos públicos ainda vão descerrar a aguardada placa de bronze agradecendo ao Banco Santander e aos demais imóveis que aguardam a reposição parcial de sua memória e história pela nobreza e significado do gesto. Tal feito cooperará sobremaneira com o processo de RESTAURO E REVITALIZAÇÃO do Híper centro Histórico de Jaguariúna.
Tomaz de Aquino Pires.