Capivaras em Campinas

É preciso encontrar solução inteligente para o bem-estar das pessoas e animais

A Prefeitura de Campinas precisa urgentemente resolver o problema das capivaras abandonadas em seus lugarejos e não pode permanecer indiferente ao fato. A sociedade lida com o problema há tempos e elas precisam ter atenção, retirando-as das ruas, pois são protegidas pela legislação em vigor na defesa dos animais. Lembro que é dever do Poder Público a tutela animal, segundo a CF/88 art.225 1º / VII, assim como a Lei Federal 9605/98, artigo 32. Portanto, o senhor prefeito Jonas Donizzete precisa urgentemente resolver o problema, evitando atropelamento delas e a proliferação descontrolada. Destaco que a caça é proibida por lei!

Inclusive, do jeito que está é perigoso, na iminência de causar acidentes automobilísticos graves em virtude do atropelamento e a prudência exige atenção e solução imediata . Os direitos dos animais precisam tornar-se hábito não apenas nessa cidade, mas, em todo o nosso país, deixando de ser causa sem valor ou meramente secundária. Por isso, tem-se que educar nas escolas, conscientizar alunos, palestras em clubes, associações de moradores e afins, pondo fim aos maus-tratos e abandono que vêm de longa data.

ELAS ESTAVAM AQUI ANTES DE TODOS NÓS

É bom que lembremos que as capivaras são animais típicos da América do Sul, com exceção do Chile e habitam áreas próximas a rios e corpos d’água em todo o país. São consideradas os maiores roedores do mundo, alimentando-se, principalmente, de plantas aquáticas e brotos e estão no Brasil muito antes que todos nós e merecem viver com dignidade. São encontradas em grupos familiares de em média 20 indivíduos, chegando em alguns casos até 60 animais. Comunicam-se entre si através de sons específicos que são escutados à distância, alertando, inclusive, seus pares na iminência de algum perigo. Em síntese, são animais amparados e tutelados por leis específicas, merecendo todo cuidado e proteção por parte do Poder Público, em especial, Campinas e seus interiores que lidam com este problema e que não podem e não devem permanecer indiferentes a essa situação que exige celeridade e solução eficaz e imediata.

ABRIGO OU PARQUE ECOLÓGICO PARA CAPIVARAS
Em Curitiba, na Lagoa da Pampulha, em Minas Gerais, entre outros exemplos singulares, há parques ecológicos para esses animais com veterinários.

Cabe à Prefeitura dessa linda cidade criar santuário ou parque ecológico para esses animais, haja vista a imperiosa necessidade de remoção dos locais onde habitam, além de acompanhamento de veterinários, esterilizando-as, para mantê-las sob controle, evitando assim a proliferação descontrolada e possíveis doenças contagiosas às pessoas. Em diversas cidades interioranas brasileiras o problema é o mesmo e as autoridades estão atentas para o sério problema, embora as capivaras sejam animais dóceis e admirados por muitas pessoas. Em Curitiba, por exemplo, é feito acompanhamento desses mamíferos em vários parques, com exames frequentes e acompanhamento por parte de veterinários. Na Lagoa da Pampulha, em Minas Gerais, o problema é o mesmo, mas, busca-se solução saudável e boa convivência entre esses animais e a população que gosta muito delas. Há sempre solução quando há disposição para enfrentar problemas.

A Prefeitura de Campinas assim como as demais que lidam com essa atípica situação têm que colocar o assunto como ordem do dia, cientes que os animais fazem parte de nossa vida e não podemos nos abster das responsabilidades que nos são conferidas, ou seja, o respeito à fauna em sua ampla diversidade. É fundamental que não esqueçamos também que é imperioso educar nas escolas sobre os direitos dos animais, assunto que já destaquei reiteradas vezes e sempre destacarei enquanto necessário for. A luta é diária, difícil e renhida, cientes que somos que não há vitória sem esforço, dedicação concentrada e respeito à vida em sua ampla e insofismável diversidade.

Gilberto Pinheiro, jornalista, palestrante em escolas, universidades, consultor da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil, ex-articulista da Amaerj, Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro, destacando a senciência e direitos dos animais.

 


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