Conhecimento científico, comunicação e o trabalho da Imprensa são essenciais para combater as mudanças climáticas apontou 2º webinar sobre o Fórum Mundial da Água

O Consórcio PCJ realizou na última quarta-feira, dia primeiro de julho, o webinar “O Fórum Mundial e a Gestão da Água frente às Mudanças Climáticas”, com as participações do coordenador de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Rui Brasil Assis, do oficial de Meio Ambiente e Água do escritório da UNESCO no Brasil, Glauco Kimura, e do secretário executivo do Observatório da Governança das Águas (OGA Brasil), Ângelo Lima. O evento contou com a moderação do assessor técnico do Consórcio PCJ, Flávio Forti Stenico, e enalteceu a importância da ciência na construção de um mundo mais sustentável e o papel da comunicação e da imprensa em informar a sociedade.

Ângelo Lima destacou o papel da comunicação ao comentar a percepção da população sobre questões envolvendo o tema água. “Se perguntar aos brasileiros se eles acham a água importante a maioria dirá que sim, mas não associa o tema na hora das eleições. Nós sabemos que a água é estratégica para o desenvolvimento, mas a sociedade brasileira não compreende isso como uma ação efetiva para políticas públicas”.

Glauco Kimura da Unesco defendeu o conhecimento científico como o caminho para combater as mudanças climáticas e aprimorar a gestão hídrica. Ele utilizou como exemplo a pandemia de coronavírus que está gerando uma expectativa muito grande em torno da criação de uma vacina, produzida por cientistas. “estamos vivendo um período de negacionismos científico que pode interferir na nossa evolução, mas por outro lado tem vida curta. O que estamos vivendo hoje expõe a importância da ciência para o dia a dia. A ciência já tinha detectado esse vírus desde 2013, quando foram publicados artigos científicos sobre o potencial de ocorrer uma pandemia. O problema que quem lê artigos científicos são cientistas. E esse é o desafio: transformar o conhecimento científico acessível para todo mundo, e nesse processo a comunicação se faz importante”, comentou.

Na mesma linha, Rui Brasil Assis, comentou o papel estratégico da comunicação e da imprensa em traduzir o conhecimento científico para a sociedade. “Nosso sistema de recursos hídricos faz há anos comunicação, mas precisamos fazer uma análise melhor. Primeiro temos de ter credibilidade e mais gente vai se importar com o que a gente faz, isso é um processo lento. O Glauco colocou que não adianta cientista falar para cientista. E aí temos a imprensa para traduzir o cientista para os leigos”.

Kimura ainda assinalou a importância de mobilizar e educar a sociedade sobre o perigo das “fakenews” (notícias falsas) e a necessidade de enaltecer a credibilidade do conhecimento científico, ao conclamar a todos: “Temos de defender a ciência. O papel da Unesco é divulgar a informação correta e precisa e temos sempre que garantir citação das fontes do nosso conhecimento, comunicar de uma maneira simples e acessível, tal qual Paulo Freire preconizava: o conhecimento é multidirecional. Construindo conhecimento, se constrói mentes educadas”, sublinhou.

O Valor da Água e o Marco do Saneamento
O secretário executivo do OGA completou a discussão discorrendo o valor econômico da água e acredita que a visão dos economistas está mudando nesse sentido. Para ele, é um avanço importante avaliar a água do ponto de vista econômico, mas não somente sob essa ótica. “É Fundamental que incorporemos todos os valores da água, desde o cultural, espiritual, ambiental, da saúde e econômico”, disse Lima.

Ele comentou ainda sobre o marco do saneamento no Brasil, aprovado na semana passada pelo Congresso Nacional, que entre outras questões permitirá a ampliação do setor privado no saneamento. De acordo com Ângelo, faltam elementos no Projeto de Lei aprovado para ter a universalização do saneamento garantida. Ao mesmo tempo, o palestrante enalteceu a possibilidade de elaboração de planos regionais e não mais exclusivamente municipais. Segundo o secretário executivo do OGA, se esses planos regionais levarem em conta as bacias hidrográficas poderá haver ganhos para a gestão de recursos hídricos.

Durante o debate entre os palestrantes com a audiência do webinar, Rui Brasil Assis, também quis comentar sobre o marco do saneamento. “Uma pergunta que muito se faz é como ficarão os municípios muito pequenos que não atrai a atenção do investidor privado, mas o Estado terá de dar conta. Só que a lei veio porque o Estado não está dando conta”, atentou.
Rui mostrou preocupação com a rápida tramitação dessa pauta, sem muita discussão. “Nós temos 30 anos de lei de recursos hídricos em São Paulo e não tivemos mudanças profundas, sinal de que a discussão foi densa. Agora tivemos o tramite do novo marco do saneamento muito rápido e de fato não aconteceu uma discussão, vamos torcer que se encontre uma boa solução sem sobrar alguns excluídos”.

Lembranças do Fórum Mundial da Água – Brasília 2018
Todos os palestrantes se mostraram positivos com os resultados do 8º Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília no ano de 2018, e acreditam que tenha sido o maior Fórum de toda a história. Kimura, que trabalhou no secretariado do Fórum Brasileiro, lamentou que o tema clima tenha perdido destaque na grade temática do 9º Fórum Mundial da Água, no Senegal, em 2021. O Fórum em Brasília contou com 12 sessões sobre água e clima, com mais de 40 organizações, enquanto o evento senegalês terá um único tópico dentro do tema “Segurança Hídrica e Saneamento”, disse.

A abertura do segundo dia de webinar da Semana de Diálogos sobre o Fórum Mundial da Água foi realizada pela representante do Setor de Ciências Naturais da Unesco, Juliana Proite, que destacou a centralidade do ODS 6 – Água e saneamento, na agenda dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas. A representante da Unesco pontuou ainda sobre o documento lançado durante o 8º Fórum Mundial da Água – Brasília 2018, que tratou sobre os estudos sociais que corroboram para uma melhoria de uma gestão sustentável dos recurso hídricos a fim de garantir água em quantidade e qualidade, e o acesso ao saneamento básico a todos, objetivos primordiais no âmbito internacional.

Juliana defendeu o esforço da comunidade internacional no combate às mudanças climáticas que deverão ser pauta também no próximo Fórum. As contribuições de todas as partes interessadas do 8º Fórum Mundial da Água para o desenvolvimento e implementação de políticas positivas e pró ativas em questões de água e investimentos em tecnologia para segurança hídrica poderão ser compartilhados pelos países no 9º Fórum Mundial da Água, no Senegal 2021”.

O webinar foi encerrado pelo secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, que parabenizou os palestrantes sobre as exposições e disse que o 9º Fórum Mundial da Água, já começou, desde ontem com o primeiro webinar, pois, uma corrente de engajados com a temática da água já se formou para representar o Brasil no evento mais importante sobre a água no mundo.
Quem ainda não confirmou sua participação, corre que há tempo! As inscrições podem ser feitas no link: https://forms.gle/ULsuYZQKj9MrTVK17. A inscrição garante acesso a todos os dias de webinars e os inscritos que participarem de todos receberão o certificado de participação.

Quem perdeu o primeiro e segundo dia de webinars, pode acessá-los no nosso canal no Youtube. Os vídeos completos estão nos links:
Webinar 1: https://youtu.be/7VL4JLNf1yo
Webinar 2: https://youtu.be/5YbtZqgNWAs

  

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