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Especialistas afirmam que estiagem será pior em 2015

Quase nenhuma das cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) começou o ano com um plano para garantir o abastecimento de água da população diante da previsão de especialistas de que a estiagem em 2015 poderá ser pior que a de 2014. O único plano é o racionamento.

No domingo, 18 de janeiro, os córregos de Posse ficaram secos e captação parada

No domingo, 18 de janeiro, os córregos de Posse ficaram secos e captação parada

Com um regime de chuvas muito abaixo da média no ano passado, algumas cidades passaram a buscar novos mananciais, promoveram desassoreamento, passaram a se socorrer de reservatórios particulares nos momentos mais críticos e projetaram a construção de represas, que não estarão prontas a tempo. Mas, para a maioria que capta água nos rios e córregos, como é o caso de Campinas e Santo Antônio de Posse, o plano principal é rezar para chover.

Campinas tem projetos de reservatórios de água bruta, mas esses projetos não estarão prontos para aumentar a oferta de água bruta este ano. O plano de curto prazo da Sanasa é aumentar capacidade de reserva de água tratada de Campinas em 65%. Atualmente os reservatórios dão autonomia de abastecimento de oito horas na eventualidade de ocorrerem problemas nas estações de tratamento ou na captação.

A cidade de Nova Odessa está sob racionamento desde julho e as chuvas ainda não conseguiram encher as represas, que chegaram a janeiro com 43% da capacidade. Apesar de várias medidas tomadas no ano passado, o plano alternativo da cidade para enfrentar um eventual agravamento da crise hídrica é a captação no Córrego Santo Angelo, que não consegue abastecer a cidade, mas que permitirá fornecer água à população por algumas horas por dia, fazendo uma reversão de bacia. O racionamento, que dividiu a cidade em parte alta e baixa, corta o fornecimento das 21h às 10h em cada parte em dias alternados.

A situação de Valinhos é crítica. Além de não ter de onde tirar água se não chover, a cidade ainda padece por falta de capacidade de tratamento de água — há uma demanda diária reprimida de 3 milhões de litros, que será resolvida a partir de setembro, quando as obras de ampliação da ETA-2 estiverem concluídas para aumentar em 30% a capacidade de tratamento da cidade.

Sob racionamento desde fevereiro, o plano de contingência de Valinhos é torcer para chover. Os mananciais internos estão operando com 90% da capacidade, mas eles não são suficientes para garantir água para toda a cidade. Uma parte importante depende da captação feita no Rio Atibaia — ou seja, depende do Cantareira.

SANTO ANTÔNIO DE POSSE
Já Santo Antônio de Posse tem buscado socorro em reservatórios particulares. No domingo, 18 de janeiro, os córregos ficaram secos e captação parada, o que obrigou o SAAEP – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Santo Antônio de Posse a colocar um caminhão pipa fornecendo água, principalmente nos bairros mais altos.

A chuva que caiu na madrugada desta quarta-feira não ajudou, e a normalização deve ocorrer com a chegada da água vinda da represa da Fazenda Santa Bárbara.

“Com o uso consciente devemos ter uma semana tranquila. Mas para isso, o hábito de lavar calçadas tem de acabar, precisamos da colaboração de todos”, pede o SAAEP.

CONSCIENTIZAÇÃO
Já diziam nossas avós: sabendo usar não vai faltar. O velho ditado é cada dia mais atual, assim como a necessidade de utilizar com sabedoria o que temos. A água é um recurso limitado, e o seu desperdício tem consequências.

E a sociedade tem sua parcela de responsabilidade nessa história. Existem pessoas que consomem água como se não estivéssemos atravessando problemas com chuvas ou com as questões climáticas.

As soluções apontadas são de fácil execução. Lavar a calçada ou o carro com água em balde em vez de usar mangueira é uma delas. Não deixar torneiras e chuveiros abertos durante o banho ou a escovação dos dentes. Deixar frutas e legumes de molho por alguns minutos em vez de lavá-los com água corrente. Identificar possíveis vazamentos.

Numa pergunta lançada numa rede social sobre quais as atitudes que poderiam ser tomadas para que houvesse uma diminuição no desperdício de água lavando a calçada ou carros: rodízio programado, multa pesada, divulgação dos “gastadores” ou corte do fornecimento como penalidade, a maioria é a favor da aplicação de multas pesadas.

“É uma pena ter que tomar certas atitudes, mas infelizmente existem pessoas que ainda não possuem a consciência de que água está acabando e cometem esse tipo desnecessário de desperdício. Um rodízio programado e aquele que for pego lavando calçadas ou qualquer coisa do tipo, uma multa mais pesada, quem sabe se começar a mexer no bolso aprende”, afirma a possense Marlene Bassani.

A sugestão de um rodízio programado e a divulgação dos “gastadores” não foi bem aceito. Diz Jaqueline Gonçalves: “Rodízio programado não resolve, pois quem não tem consciência usa um monte de água quando tem fornecimento; multa é o correto, mas para ser aplicada é um absurdo de burocracia, divulgação dos “gastadores” é contra a lei e o corte no fornecimento é uma ótima ideia”.

Também o corte por desperdício tem adeptos: “Eu acho que deveria só liberar o fornecimento de madrugada, será que mesmo assim iriam lavar as calçadas? E, se pudesse, cortar uns dias a água da pessoa para ela sentir na pele o que é ficar sem água”, afirma Alda Marina Massoni.

Taís Simionato diz: “Tem que cortar! Assim, quem desperdiça saberá como é difícil ficar sem água em casa, até mesmo pra tomar banho! Só assim irão entender. Quem acha que pode esbanjar porque está pagando, também não se importará em pagar uma multa”. E Gi Sobral complementa: “Eu acho que tem que deixar a criatura sem água por uns dias… Quer lavar quintal e calçada? Que compre água mineral, já que muitos aí dizem que podem receber multas, pois tem dinheiro para pagar o valor da multa!”.

Também a maioria é a favor da intensificação da fiscalização: “Eu acho que tem que colocar mais fiscalização na cidade toda, porque às vezes as pessoas têm medo de denunciar, principalmente no bairro em que eu moro”, diz Valdei Gomes. E Jaqueline Gonçalves complementa: “Acho que precisamos de um funcionário público andando por aí para aplicar as multas ou até mesmo a Guarda Municipal, afinal ter que fotografar a infração de seu vizinho por duas vezes e depois revelar as fotos pra depois levar até a prefeitura e ainda ter que pagar uma taxa para denunciar é um absurdo. Isso tem que ser responsabilidade do poder público. Tem muita coisa pra mudar!”

E Lucimeire Guiraldelli finaliza: “Pode ser tudo isso junto e um pouco mais, porque a situação é séria e as pessoas precisam se conscientizar MESMO, tão levando muito na brincadeira ainda!!!”.

  

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