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Mas afinal, o que é o Luto?

Geralmente, quando falamos esta palavra, a primeira imagem que vem em nossa mente é a daquela fitinha preta, e junto com ela escrito a palavra LUTO em letras garrafais. E invariavelmente, ela expressa um momento de respeito e muita dor.

O Luto é um processo de reação à perda de algo ou alguém que amamos e foi tirado de nós, devido a uma perda real (no caso de morte ou separação) ou simbólica (no caso de uma grande frustração de algo que investimos muita energia e não deu certo, por exemplo).

É caracterizado por um período de dor muito profunda, um sentimento de tristeza e pesar, falta de interesse pelo mundo externo, pelas atividades cotidianas, e um estado de espírito penoso. Neste período, o mundo do enlutado se torna pobre e vazio, uma vez que aquele a quem amava (vou colocar no presente:ama!) não faz mais parte dele. E como é difícil aceitar esta realidade…

Assim como, quando estamos com uma gripe muito forte e o nosso corpo precisa de repouso e um tempo para se curar e restabelecer a saúde, assim é o processo de luto. É um processo longo e lento, doloroso, porém necessário para que nos reajustemos à nossa nova realidade, que agora está literalmente faltando um pedaço.

Este processo de adaptação não deve ser comparado a um estado patológico, ou seja, de doença (salvo em casos especiais), pois, apesar de ser um dos piores momentos que o ser humano precisa enfrentar durante seu desenvolvimento, é um processo natural e necessário. Imagina se perdêssemos a pessoa que mais amamos e não tivéssemos um tempo para sentir, para sofrer, para chorar o quanto for preciso, para nos dar conta da nova realidade e aos poucos tentarmos nos ajustar a ela? E, pior ainda, se não tivéssemos quem nos acolher e nos ouvir neste momento?

E isso acontece muito, as pessoas evitam falar sobre o ocorrido, por ser um tabu, e acabam por não dar este espaço para que o enlutado sinta a sua dor, que naquele momento, para ele, é a maior dor do mundo, e então dizem frases prontas a ele, que ao invés de ajudá-lo, invalidam sua dor, como por exemplo: “é a vida, né, todo mundo vai morrer um dia”. (Dica: nunca diga isso a um enlutado!).

É importante reforçar mais uma vez que por ser um processo extremamente doloroso, a pessoa enlutada está fragilizada e precisa de tempo para se reajustar à nova realidade. Porém, anote isso: não é o tempo cronológico do relógio, ele não é contado em semanas, meses, anos. É o tempo interno de cada um. E ele precisa ser respeitado. Assim como a sua dor  precisa ser respeitada e acolhida, nunca invalidada ou subestimada, seja por qual perda for.

A ideia de luto não se restringe apenas à morte, embora esta seja sua instância mais profunda de dor. Ela pode se estender ao enfrentamento que temos que ter diante de perdas cotidianas, reais ou simbólicas.

Você sabia que um simples bebê vive seu primeiro estado de luto no momento do nascimento? Pois é, ele estava tão seguro e protegido (e quentinho!) dentro da barriga da mãe, de repente perde esta realidade e é colocado em outra completamente oposta, desprotegido, com frio, inseguro.

Ou mesmo um simples adolescente vive seu momento de luto quando se dá conta do que perdeu de sua infância, seu corpo, seu papel infantil, a superproteção de seus pais.

Um idoso tem seu luto também, pela perda de sua vitalidade, de seu corpo que não responde mais como antes, perda de seus diversos papéis, que antes trabalhava, era arrimo de família e agora precisa se adaptar à nova realidade.

O luto devido à separação de casais é muito sofrido também, é “um problema de morte entre vivos” e será tema de um e-mail especial.

Existe também o chamado Luto Não Reconhecido, que são perdas geralmente ignoradas ou desacreditadas pela sociedade e por isso pode levar ao adoecimento do enlutado (por exemplo, perda de um filho prematuro, o desaparecimento de algum familiar, perda de animais de estimação, e até mesmo a traição de conjugal) Já o Luto Antecipatório é o triste conjunto de experiências e sensações que vivenciamos quando descobrimos que alguém que amamos está com uma doença terminal. (Também pretendo falar mais detalhadamente deles em outras oportunidades).

O psiquiatra Colin M. Parkes dedicou grande parte de sua carreira para estudar este tema, disse uma frase que gosto muito e que resume um pouco do que falamos:  “O Luto é o preço que pagamos por amar”.

E você, quantos lutos tem enfrentado no seu dia-a-dia?

Se quiser, escreva para mim, estou aberta a acolher sua história e sua dor. gracebbenato@gmail.com

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Grace é Psicóloga, atua na cidade de Jaguariúna e atualmente está desenvolvendo projetos gratuitos para ajudar pessoas enlutadas. Se quiser saber maiores informações, entre em contato pelo email: gracebbenato@gmail.com.

  

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