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O mesmo filme não tem final diferente

Muitas pessoas desejam mudanças na maneira que levam a vida. Quem não quer mudar alguma coisa em sua vida? Quem não deseja aprofundar o autoconhecimento, desenvolver técnicas e habilidades para trabalhar os relacionamentos sociais, familiares, afetivos e profissionais; ampliar a percepção de si mesmo e de suas relações com os outros; promover a compreensão da manifestação dos próprios pensamentos, atitudes e sentimentos.

Desejam mudar o seu comportamento, mas mudança de comportamento é muito difícil. Mas, se você realmente deseja mudar seu comportamento, tem que mudar suas atitudes, a forma como você vê a sua vida, os seus relacionamentos. Sempre será possível você mudar o rumo da sua história. O primeiro passo é focar exatamente no que se quer mudar. Seja na perspectiva do trabalho, relações pessoais ou qualidade de vida. Isso implica num passo básico que é sair da zona de conforto. Entretanto é muito fácil cair na armadilha de colocar metas de mudanças que não são atingidas.

Mudar não é uma coisa agradável, mas geralmente acaba valendo a pena, Quem quer transformar o corpo, para ganhar o corpo novo, tem que perder o velho. Cada ganho representa uma perda também. Até a perda de coisas ruins é de certa forma dolorosa. Muitas vezes é um apego emocional. Se você parar para pensar, irá observar que tudo começa em nosso pensamento.

Na maioria das vezes dedicamos muito mais tempo aos nossos pensamentos negativos do que aos pensamentos positivos. Muitas vezes somos mais pessimistas que otimistas; e isso nos leva a “sermos os nossos melhores e maiores adversários”.

Observe quantas vezes utilizamos o “se”, o “acho”, o “será?” – “… e se não der certo?” – “… eu acho que não vou conseguir…”, – “… será que vale a pena tentar?…”

Ficamos presos a essa linha de pensamento e não partimos para a atitude, ou seja, não efetivamos a ação de modo concreto. Ficamos amarrados em nossa teia de insatisfações por insegurança e medo. Achamos muito difícil buscarmos o ponto de partida de novos pensamentos e sentimentos.

Nossos sentimentos são gerados pelos nossos pensamentos. Você já parou para se perguntar:– “…eu estou realmente satisfeito com minha vida? – “…sou uma pessoa feliz com a vida que tenho? Essas perguntas nos fazemos constantemente através do pensamento, e continuamos do mesmo jeito. Portanto, precisamos tomar atitude e mudar.

A atitude é que faz com que aconteça a mudança de comportamento de uma pessoa. Atitude é um propósito; um impulso que nos leva a tomar uma decisão.

Ao observarmos as pessoas podemos constatar facilmente que existem aquelas que possuem síndrome de Gabriela: “Eu nasci assim, vou ser sempre assim…” – outras como plantas: “não posso mudar porque minha genética é assim mesmo…”.

De nada adianta assistirmos ao mesmo filme várias vezes e esperarmos um final diferente. Assim é também com nossa vida, não adianta esperar algo diferente, fazendo as mesmas coisas das mesmas maneiras. Isso é fazer mais do mesmo.

Todo processo de mudança é lento, mas possível.

Se desejarmos verdadeiramente assumir mudanças em nossa vida, devemos responder as seguintes perguntas:

– o que eu ganho se mudar?

– o que eu ganho se não mudar?

– o que eu perco se mudar?

– o que eu perco se não mudar?

É um interessante começo de iniciar um processo de mudança.

Sabemos que só podemos mudar a nós mesmos e não os outros, portanto, para exemplificar, cito uma lição de Mahatma Gandhi:

Certa vez uma mãe levou seu filho á Gandhi e pediu-lhe:

Gandhi, meu filho come muito açúcar, já tentei de tudo e não consigo fazer com que ele pare com isso. Como ele admira muito você, com certeza irá obedecê-lo. Por favor, peça para que ele pare de comer tanto açúcar.

Gandhi pediu àquela mãe que voltasse 15 dias depois.

Decorridos os 15 dias, a mãe o procura novamente e Gandhi olha para o menino com bastante atenção e diz:

– Por favor, pare de comer açúcar!

O menino abaixou a cabeça e fez sinal de obediência. A mãe não entendeu nada daquilo e perguntou intrigada:

– Gandhi, porque você não disse isso há 15 dias quando eu lhe trouxe o menino.

– É que há 15 dias eu também comia muito açúcar disse Gandhi.

E com sábias palavras concluiu:

“- Quantas vezes exigimos dos outros, aquilo que não conseguimos mudar em nós”.

Mudar é dar um salto do conhecido rumo ao incerto. Mudar exige coragem. O novo incomoda porque é um desafio. Entretanto o novo nos torna pessoas melhores porque nos torna novas pessoas.

Mudar é sair do comodismo, é se desapegar, jogar fora o que um dia teve serventia e não serve mais. Muitas vezes, manter uma situação, uma relação ou um padrão conhecido pode parecer mais fácil do que se desapegar. Nesse caso já sabemos o que está nos esperando no futuro: o mesmo que temos agora.

Finalizando gostaria de deixar como reflexão uma metáfora: O urso e o caldeirão.

Um grande urso, vagando pela floresta, percebeu que um acampamento estava vazio.

Foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou uma grande panela de comida.

Quando a panela já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.

Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.

Na verdade, era o calor da panela…

Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.

O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.

Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto urrava, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.

Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a panela de comida.

O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto ainda mantinha a expressão de estar urrando e sentindo dores.

Em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas, no caso do urso “a panela” que julgamos ser importantes.

Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.

Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.

Para que tudo dê certo em nossa vida é necessário reconhecer em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai nos dar condições de prosseguir.

Tenhamos a coragem e a visão que o urso não teve.

Tiremos de nosso caminho tudo aquilo que faz o coração arder.

Solte a panela! Dê seu salto! Encontre novos caminhos!

Muitas vezes achamos que determinada coisa, sonho ou até mesmo pessoa é o melhor para nossa vida, e então nos apegamos tanto àquilo que deixamos de “enxergar” que há outras soluções; que existem outros caminhos.

Ouse, não tenha medo de “soltar a panela” que te queima e que te faz sofrer.

Olhe ao redor, observe que sempre há outras opções ou soluções para tua vida.

Pare, reflita e descubra se você está apegado a alguma “panela” que está lhe machucando e lhe fazendo infeliz.

Se um novo caminho ou oportunidade surgir na vida recomece com firmeza e segurança, sem medo ou covardia.

Hamilton Chelegon é sociólogo e Arte Terapeuta. Especialista em Autoconhecimento e THI (Terapia em Habilidades Interpessoais)

  

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