Prisioneiros do Tempo, por Luciano Rocha

Uma das formas de sabotarmos a nossa felicidade é colocá-la tão distante que jamais poderemos alcançá-la. É incrível como tendemos a nos recordar do passado, a nos preocupar com o futuro e nos esquecemos de VIVER O PRESENTE.

Em nosso dia a dia pouco tempo aproveitamos vivendo o momento presente.

Quando questionados sobre o que fizemos em tal dia podemos “tecnicamente” descrever os pormenores de nossas atividades realizadas, porém se olharmos mais de perto poderemos ver que as recordações do passado assim como as preocupações com o futuro ocuparam uma grande parte de nosso tempo.

É fato que o passado nos é importante, saber onde tropeçamos pode nos livrar de uma nova queda, aprender com as experiências vividas é fundamental para nosso desenvolvimento.

Também é importante a preocupação com o futuro, pois, nossas expectativas para o amanhã nos movem para aquilo que devemos fazer hoje para que estas expectativas sejam satisfeitas.

O grande problema reside em fazer do passado uma prisão, viver mergulhados em acontecimentos que já não fazem parte de nossa vida, sofrendo por uma realidade que já não existe, tentando deixar vivos momentos bons que nunca mais voltarão ou presos em pensamentos, sentimentos ruins ligados ao passado temendo que a qualquer momento poderemos ser “vítimas” novamente desses pensamentos e sentimentos.

Agindo assim, tendemos a LANÇAR DENSAS TREVAS sobre o futuro, pois o presente que é o único momento em que realmente podemos fazer efetivamente algo está sendo desperdiçado.

Da mesma forma que mascaramos a realidade tentando reviver o passado, também o fazemos vivendo presos a acontecimentos ruins temendo que a qualquer momento eles se tornarão presentes.

Os erros cometidos no passado servem de aprendizado, não somos perfeitos, na verdade ESTAMOS ANOS LUZ DA PERFEIÇÃO, aprender com os nossos tropeços nos impede de cair da mesma forma, porém o sofrimento da queda sofrida nos motiva a caminhar mais atentamente.

Paralisar a caminhada por conta de uma queda sofrida nos impede de crescer, ficar estagnados temendo dar o próximo passo por conta de um tropeço pode, de certa forma, nos proteger de cair, mas certamente nos impede de ver e viver novas paisagens que o caminho tem a nos oferecer.

A preocupação em fazer um futuro melhor é válida quando temos em mente que melhorar o futuro depende das iniciativas que tomamos no presente.

Viver em função do por vir, seja uma expectativa boa ou ruim com relação ao futuro, deixando de viver o presente acaba por nos tornar verdadeiros escravos do amanhã.

A ansiedade toma conta quando o inimigo a ser temido, combatido é um INIMIGO SEM ROSTO, um desconhecido que talvez só exista em nossos pesares.

É fato que muitas vezes esta forma de viver que nos prende ao passado ou nos escraviza ao futuro foge de um simples e distorcido modo de ver e viver a realidade e se torna uma enfermidade psíquica que traz um grande sofrimento tornando as amarras do passado e/ou as incertezas do futuro um abismo no qual a alma é lançada, quando este é o caso não basta apenas um novo do modo de encarar a realidade, necessário se faz um acompanhamento profissional, a psicoterapia e o autoconhecimento por ela proporcionado é fundamental para que o equilíbrio se faça presente.

Viver presos no passado ou escravos do futuro é um modo de SABOTARMOS a nossa felicidade.

  

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