Quando o corpo vai desacelerando da vida. Será que eu e você estamos fazendo o mesmo?

Com o passar dos anos, pequenas decisões diárias podem nos levar a um estilo de vida sedentário sem que percebamos — até que o corpo começa a dar sinais.

É domingo, são oito horas da manhã. Estou sentado no sofá procurando uma série para assistir. De repente, uma memória e a nostalgia tomam conta. Começo a me lembrar de como sempre fui um rapaz ativo na juventude. Na época da escola e da faculdade, jogava futebol com os amigos duas ou três vezes por semana, como eu me divertia. Andava muito a pé, pegava ônibus e quase nunca ficava muito tempo sentado. Isso tudo até meus vinte e cinco, trinta anos. Era um tempo bom. Eram muitas responsabilidades, mas o cansaço não me vencia.

Quando comecei a trabalhar como analista de sistemas, minha rotina mudou. Passei a trabalhar oito horas por dia sentado em frente ao computador, fora as horas extras. No início, isso não parecia problema.

Eu ainda jogava futebol aos finais de semana e, às vezes, fazia pequenas caminhadas. Mas, aos poucos, o trabalho começou a exigir mais tempo. O futebol e qualquer atividade física foram ficando mais raros.

Toda semana eu falava comigo mesmo e me convencia, para acalmar a minha mente do desejo de me movimentar, e então pensava:

— “Essa semana está corrida, semana que vem eu volto.”

Quando percebi, o tempo se passou. Foi tão rápido que nem me dei conta. Agora estou com trinta… não, fiz trinta e cinco anos. Estou casado e com filhos pequenos. A rotina ficou ainda mais cheia: trabalho, trânsito, responsabilidades familiares.

Nem percebi que comecei a passar a maior parte do dia assim:

sentado no trabalho, sentado no carro, sentado no sofá à noite e aos finais de semana.

Ao olhar para mim, percebi que algumas mudanças começaram a aparecer:

ganhei cinco quilos, comecei a sentir dores nas costas e me sinto tão cansado ao subir escadas.

Durante todo esse período, eu dizia para mim mesmo que era apenas “falta de tempo”, que a vida era corrida.

Dez anos depois, com mais de 40 anos, hoje parei para refletir. Comecei a me lembrar dos tempos bons. Então, em um pensamento, vi a minha vida toda como um flash diante dos meus olhos.

Veio-me à mente um dia em especial, quando eu tinha uns trinta e oito anos. Brincando com meu filho no parque, percebi que fiquei muito ofegante depois de poucos minutos correndo.

Também comecei a sentir: fadiga frequente, sono de baixa qualidade e dificuldade de concentração no trabalho.

Naquela época, por conta disso, marquei uma consulta e pedi um check-up médico. Surgiram alguns alertas: colesterol elevado, início de resistência à insulina e aumento da pressão arterial.

O médico fez uma pergunta simples:

— “Você pratica atividade física regularmente?”

Minha resposta foi:

— “Faz tempo que não.”

Então me lembrei de que, outro dia, ao tentar amarrar o tênis, percebi que estava com dificuldade para me inclinar por causa da barriga que havia crescido ao longo dos anos.

Foi nesse momento que percebi algo importante: o sedentarismo não tinha começado de repente. Ele se instalou lentamente, através de pequenas escolhas diárias: pegar o carro em vez de caminhar, escolher descansar no sofá, adiar atividades físicas repetidamente.

Nenhuma dessas decisões parecia grave isoladamente, mas juntas criaram anos de pouca movimentação.

E agora estou aqui, pensando em tudo o que fiz comigo durante todos esses anos, sem perceber. Adiei o que era necessário para a minha saúde. A responsabilidade era minha de ter parado e olhado um pouquinho para mim, de ter cuidado mais da minha saúde física e mental.

Pois agora irei precisar procurar ajuda para resolver tudo o que plantei durante todos esses anos. Sinto-me tão desmotivado, tão cansado. A minha autoestima parece zerada. Não sei nem por onde começar.

Mas agora tomei consciência. Preciso me esforçar, me cuidar e me tornar saudável, me sentir bem e disposto, e poder envelhecer de forma saudável, curtir a vida e desfrutar dela com a minha família.

Tomar consciência da realidade, entender exatamente como está a nossa saúde física e mental, às vezes não é uma tarefa fácil, mas é necessária. Como na narração do texto, percebemos a tomada de consciência, a percepção de que o sedentarismo se instalou aos poucos e está lhe causando problemas de saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos do mundo (1,8 bilhão de pessoas) não fazem atividade física suficiente, e isso está na lista dos fatores que os pesquisadores identificaram como responsáveis pelo aumento global da ansiedade e da depressão.

Às vezes, nos dias em que o cansaço bate, em que parece que está tudo tão corrido, é necessário encontrar um tempo para olhar para nós de verdade. É necessário tomar consciência da realidade, assumir a nossa responsabilidade e tomar uma atitude.

Escolher a vida sempre é o melhor caminho. Envelhecer com saúde sempre é uma boa escolha.

Diante dos fatos do dia a dia, precisamos entender que estamos sujeitos a cometer erros, e erros que às vezes nem percebemos que cometemos. E está tudo bem: somos humanos.

O que precisamos é entender onde erramos e consertar esse erro, assumir a responsabilidade das nossas vidas e viver.

Você já parou para olhar para você hoje?

Como está a sua saúde física e mental?

Notou alguma coisa que precisa ajustar ou resolver?

 

Então lembre-se: nunca é tarde para se cuidar. Nunca é tarde para viver — e viver bem.

“Cuidar da saúde não é apenas uma escolha pessoal — é um compromisso diário com a vida.”